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Digital divina
dema


Leva-me a outros rincões, a névoa fria,
onde mal chega o sol, senão boreal.
Um raio dourado? Quão bom seria!
Rasgar a bruma e eu me ver real,
erradicar-me do moroso tempo
que me prende, hiberna e consome.

Longe se vai o moço de ver
a silhueta esbelta e se apaixonar.
Grita seu nome, mas a cerração
consome o grito, tudo é tão perto,
mais que finito.

Entorpecida, peleja, a mente,
buscar alegria, inda que esmaecida,
virtuais memórias e novos rumos.
Avizinha-se, todavia, a noite de cintilares opacos,
que o espaço denso sequer descortina.
Donde o farol a clarear visão
do Universo vivo que nos conduz?

No tempo, esperto e lento,
linha sutil ao longo se estira,
traço digital que ampara a vida
do começo ao fim, divino.
Exsurge, então, ufano e grande
e sobrepõe-se à névoa etérea
das galáxias em rodopios,
prova viva de existência e comando,
Deus.
Curvo-me: amém.

 

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