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Happy hour
dema


Diz não à hora morta
da tarde que vespertina obnubilada,
prenúncio de chuva noturna
durante o aguardado happy hour da sexta.
Alonga-se a hora pra chegar às dezenove.

Noutro tempo, a morbidade inexistia,
urgia cumprir a meta da semana,
atropelavam-se as letras no teclado,
nenhum barulho ao derredor se ouvia.

Mas o tempo tem medida
e a medida se conta da partida
e se conta até a chegada.

Um dia, enfim, desativa-se o dever de produzir
pra ensejar o gosto da inutilidade.
Será que se viveu a vida por metade?
Que resta algo ainda a se viver?

Quem tanto laborou pró sociedade
tem vergonha de, por esta, se prover.
A alma chora, o suspiro se repete.
Simbora, que são mais de dezessete!

 

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