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Noturno

dema

O silêncio da madrugada
torna reais os sonhos macabros,
horripilante meu acordar.

Então, não sei se é tudo verdade
ou se fictas são as cenas que passam.

Respiro ofegante, o coração salta.
Estou vivo me vendo morto.
Pessoas choram, outras chacoteiam.
A conversa é alta, tomam cachaça.
De mim mesmo rio, pois é de graça.

Virando a página, sou eu, menino,
rodopiando a cascavel:
guizo vibrante, língua espichada,
olhos graúdos, corcoveando,
quer me picar.
Giro-a com força, a lançá-la longe.
Eu, com medo, quero acordar.

Agora o tiro me vaza o peito.
Bala perdida, sangue vermelho.
Quanto sangue, claro, desmaio.
Por certo é assim que irei morrer:
se desmaiado, não me levanto,
não choro ou grito, quem vai saber?

A madrugada, devagarinho,
tal qual o sol que se opõe raiar.
Estou suado, apavorado.
Para que dormir?
Melhor acordado.

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