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Com o tempo
dema


Em névoa do ciclo lento,
enquanto na vida ando,
para alento ou desalento,
vislumbro, de vez em quando,
dois olhos negros e tristes
num rosto moça –menina;
viço que aos anos resiste,
imagem que me fascina,
porque na mente não existe
prazo que a tudo madura
mesmo se a labuta dura.
Buscando ser gente grande,
autônoma  e diletante,
guerreira, não desanima;
ágil, diligente, bela,
pintura em límpida tela
colada em minhas retinas.
Pra surpresa e desencanto,
revê-la me trouxe pranto:
só pele cobrindo os ossos,
(quão magérrima figura!)
com ou sem uns padres-nossos,
nos volteios da ciranda,
foi-se toda a formosura,
a prova por evidência,
que no tempo a idade anda,
prescindível previdência.
Inda o triste dos seus olhos,
decerto seu documento,
causa o choro com que molho
o poema do momento.

 


 


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