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Morte ao mediano!

dema

 

Sorrateiras, fogem-me as ideias,
rompem, sem escrúpulos,
com minha veia poética.
Persigo-as. Escapam.
Riem de mim.
─ Velho medíocre! ─ caçoam.
Encontro-me só. Mais solitário me sinto.
Racionais, renegam sentimentos.
Nada de pena. Desconhecem o dó.
Ora, voam. Fuxicam a meu respeito:
─ Que trivial, diz-se poeta e poematiza sem poesia.
Bora, bora, longe de socorrê-lo.
Somos boas demais para parecermos secas,
sem charme, sem beleza.
À caça de um fingidor real!
Dar-lhe-emos alegria e sentir verdadeiro.
Ele, sim, fará de nós sucesso.
Que o medíocre morra na solidão de seu deserto.
Escalde-se e seque no inferno solar do meio dia.
Cubra-o a brisa vespertina com areia quente
e o enterre com suas obras ignotas.
Morte ao mediano!
Vivas ao poeta nato!


 

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